Foto: © Andrew Baker

Médicos e uma mulher de vestido florido não paravam de me olhar, parecendo preocupada ao lado da cama do hospital, eu estava deitado e com dor. Fechei meus olhos novamente, e acordei só depois das 22h da noite, paralisado, não conseguia mexer as pernas, tinha tubos que me sugavam.

Não sabia seu fui capturado por alienígenas ou estava apenas sonhando. Imóvel e com medo, a mesma mulher que vi antes de vestido florido se levantou da cadeira ao meu lado, e com um tímido sorriso me perguntou como eu me sentia. Ali, não consegui nem fazer um sinal com a cabeça. Olhei para baixo e vi um curativo perto da minha barriga. A olhei de volta pensando em como sobrevivi.

Um médico entrou na sala e depois em explicou a compatibilidade de sangue que ela tinha com o meu. Não entendia nada. Nesses dias que estive no hospital e ela foi tão legal, e tínhamos coisas em comum. Não conhecia ela, e sua bondade era boa demais para uma pessoa só, me perguntava o que ela queria ganhar com isso. Fechei os olhos e dormi de novo. Os dias seguiram e ela continuou a me visitar, me trazendo bolos e presentes. O mais legal foi um boneco de super-herói, mesmo fraco me distraia nas tardes que ela nem sempre passava comigo.

Na manhã de sábado, o mesmo médico, de cabelos grisalhos, simpático veio até meu quarto e me disse que estava liberado, e que eu podia ligar para a minha família me buscar. Mesmo com medo, não queria ficar e nem voltar para ninguém. Perguntei onde estava a moça e ele me disse que estaria aqui novamente para se despedir. Meu coração cortou aos pedaços, aquele vazio e a pressão de ser forte novamente para conseguir cuidar de mim sozinho aumentava ao passar das horas. Era a hora de me cobrar novamente, de encarar a realidade.

Quando ela voltou, minha mão suava de nervoso, perguntei pra ela seu nome, ela então disse que se chamava Daniela. Era claro que ela ia me denunciar para o orfanato. Mas as coisas mudaram quando me disse que doou um rim dela para mim, depois que eu sofri o acidente. Bom, era com certeza a melhor coisa que alguém já fez por mim. Ela chamou para ir embora, eu disse que não queria voltar pra lugar nenhum. Então ela me disse que iríamos passar o Natal com minha nova família.



Estava tremendo, fazia frio como qualquer outro inverno. Meu coração acelerava mais a cada minuto por conta do medo daquela escuridão vazia. Fui parar lá porque fui deixado na rua. Estava de moletom, e uma blusa de frio que me protegia até o pescoço. Foi um engano ser deixado ali. Meu celular não tinha mais bateria. Me restava procurar um orelhão, e logo. Comecei a andar, e vi a placa enferrujada da rua num poste. Pensei em situações que poderia sair se algo ruim se aproximasse. Fechei meu punho, como um corajoso homem que meu avô me ensinou a ser, olho para a frente sem piscar e vou indo em uma única direção. 

Se alguém vir do meu lado, penso em pegar logo qualquer tijolo que estaria jogado na calçada de uma das casas e saio em disparada para me proteger. Se vier com arma, corro mais rápido que puder. Se ouvisse passos atrás dos meus, olharia para trás para ter certeza e pararia na frente e olharia nos olhos do sujeito, fazendo o crer que se arrependerá de ter me seguido com más intensões.

Pisco mais uma vez, e volto a olhar para rua com pouca luz. Imaginar situações em que sou forte me faz esquecer do medo. Sobreviver é mais importante do que outra coisa nesse momento, e não importa como. De vez em quando via pequenos seres, urubus, que queriam minha carne, prevendo minha morte para se alimentarem. Lobos com seu grupo apenas observando, para depois rasgar a minha pele e dividir com outros do seu grupo. Percebi que o medo afeta, e me deixava mais paranoico a cada passo. Precisava sair, me deixe sair!

Acordei. Me aliviei na luz do dia que vinha pela janela com grades. Mais um dia, aqui, nesse abrigo. Minha história nem começou e ainda tenho muitos anos. O sol não é para todos. Esse é mais um dia nublado, aprendi a ser vítima e ao mesmo tempo um culpado.

Procuro minha mãe todos os dias nos meus sonhos. E espero, aqui nesse céu quadrado. Mas ainda serei do mundo, viver aventuras como nos desenhos animados, e ao mesmo tempo ser herói. 

Já passei por vários “pais” diferentes. Uma vez, um casal me olhou com dó para depois levar para casa deles. O nome dela era Isabel, e ele Pedro. No primeiro dia na casa deles, me levaram direto para o banheiro, em uma conversa curta antes de chegar no carro, perguntavam se eu me importava em ter pais brancos. Diferentes de mim, negro e quase um esqueleto. Não respondi, fiquei tímido, no meu canto e apenas acenando não com a cabeça, fingindo que não me importava a diferença que enxergavam em mim.

Sempre ficavam de olho em mim pela casa, olhando o ambiente. Lembro-me que tinha um pássaro banhado a ouro em um móvel que ficava na sala para enfeite. Quando me aproximava a ver aquela beleza, tiraram minha mão rapidamente do objeto. Não entendi o porquê, e no dia seguinte me levaram de voltava para meu quarto antigo.

 Fui dormir pensando que não merecia amor, e nem daria, não era digno. O moço que andava sempre de gravata e que ficava numa sala, me chamou e disse que naquele ponto seria difícil eu arranjar novos pais depois que eu tivesse 3 anos. Eu tinha 11 anos, e agora restou eu escolher ou ser escolhido?

Foi em uma madrugada que comecei a pensar, e seu sair daqui e encontrar coisas melhores lá fora. Comecei a ver os horários de visita, e os horários dos seguranças. Não foi difícil, porque o que eu tinha que fazer é sair com uma família até lá fora. Disse para eles que dessa vez tinha certeza que seriam meus novos pais, que os anteriores não eram iguais a eles.

Me levaram de carro, e sentei no banco de trás. Percebi que não havia tranca automática, e no farol vermelho, abri a porta do carro e sai em disparada para outro lado da rua no meio de tantos outros carros. Não queria parar de correr, me chamavam desesperados, mas nem tive vontade de olhar para trás. Segui para frente o quanto podia. Um carro veio descontrolado em minha direção e me atingiu com tanta força que não tive como desviar. Apaguei. 

Continuação.
As imagens finalistas do concurso "Insight - Fotógrafo de Astronomia do Ano", realizado pelo Observatório de Greenwich e o Museu Marítimo mostra a cada estrela uma história tiradas pelos fotógrafos finalistas.  Os vencedores serão anunciados no dia 17 de setembro deste ano.

Quando vi pela primeira vez, meus olhos brilharam com a nitidez e a beleza natural tão longe de nós, e me fez lembrar que a cada dia nos esquecemos dessa estrelas tão distantes.

Uma realidade que parece que veio de outro mundo a cada canto uma visão diferente de cada fotógrafo. Mas elas estão lá, soltas no espaço, sem chão e mundo, entre outras estrelas e planetas.

Para olhar mais de perto:
A supernova remanescente (IC443), tirada pelo fotógrafo finalista, Patrick Gilliland é uma estrela que segundo o site da NASA tem aproximadamente 10 mil anos de idade. Essa é a expansão dela depois de ter explodido há mais de 20 mil anos.

Xiaohua Zhao, da China, registou essa foto nas águas rasas de Salar de Uyuni, na Bolívia.














 Green Lake, na Califórnia.

Links para saber mais: 

Fotos dos 10 finalistas

Fotos concorrentes


Escrito por: Mariana Grava
Dessa vez não é "As crônicas de Nárnia", mas os acontecimentos que levam a intolerância de opiniões nas redes sociais, em especial "As crônicas de Facebook".

Paralelo também ao nosso mundo, a rede social que virou um vício quase incontrolável depois do Orkut deu à nós novas maneiras de expor opiniões. Viva a democracia! 


Uma terra sem leis? Mas não mesmo. Para isso existe o Marco civil da internet criado em 23 de abril de 2014 para proteger os direitos como o de privacidade e liberdade de expressão. O que se fala sempre no facebook quando o assunto sempre é política, religião ou futebol. Isso quando um ou outro usuário não apela para a agressão verbal e perde o controle da conversa e se desfoca totalmente do assunto inicial. 

Essas e entre outras crônicas com diálogos nesse tempo moderno foi mudado da praça, sala de jantar, do telefone para a internet. Essa ferramenta que conecta com pessoas do seu círculo social ou próximo também traz discórdias nos comentários. De forma raivosa, e sem abertura para expor argumentos, apelar pela irracionalidade, e acaba desmerecendo o debate. Parece que as pessoas ficaram mais intolerantes com opiniões contrárias das delas. 

Percebo que onde tem regras que limitam o que comentar ou postar sobre qualquer outro assunto traz atitudes coerentes às normas, porque com certeza se não respeitar vai ser banido pelo administrador do grupo. Sempre naquele sentimento de que “quando há regras tenho que cumprir se não vou ser punido”. Contrário do que “vou fazer as coisas com consciência e olhar com empatia o meu próximo”. E olhe lá, tem pessoas que respeitam uma as outras sem regras, não posso generalizar uma comunidade com mais de 89 milhões de brasileiros

Não somos todos mal-educados ou com complexo de vira-latas, como dizem os patriotas de plantão. Nos unimos com acontecimentos e opiniões, então por que não se juntamos para debater além de julgar ser o único certo? 
  


O DIA EM QUE O FACEBOOK FICOU COLORIDO 


Na última sexta-feira (26), o Estados Unidos legalizou o casamento gay em todos os seus Estados. Grupos LGBT e simpatizantes do movimento, e favoráveis aos direitos iguais abraçaram com maior alegria mais uma vitória desses direitos. Mark Zuckerberg inovou ao disponibilizar uma ferramenta que colore a foto do perfil. Resultado? Um arco-íris a cada atualização da Linha do tempo. 

Me atrevo a exercer empatia mais uma vez. Olhando para os dois lados, quem apoia não devia se importar com quem não apoia, ou então argumentar com opiniões que apenas julgam, e buscam confirmação do que um debate. A mesma coisa para quem opina e apresenta como exemplo outras causas a serem apoiadas, como se uma causa fosse mais importante que a outra. Claro, dar opinião é importante, contudo manter o respeito e a civilidade é melhor e mais harmonioso para a nossa sociedade que julga tanto e age sem esperar das autoridades.

Olhando para quem pôs a foto de perfil colorida, é apoiar a causa, e não precisa ser gay. Uma causa não anula a outra, mas as histórias sim, as crônicas dessa rede que nos afasta e ao mesmo nos une para uma causa maior. 

© Mariana Grava
Sempre quis inspiração, no vento que toca as flores e suaviza todo o ambiente cheio de caos. Em como as coisas simples são completas e trazem uma paz. Você me congelou e me trouxe essa paz, esse momento que é parado porque nada ao meu redor é mais importante do que estar com você. 

Sempre me dizia ‘venha me ver’, enquanto eu corria com medo pensando que você jamais me diria isso. Enquanto eu voltava, estava chorando, em agonia, e meu coração apertava. Vou te ver, volto se me quiser. Não me deixe em confusão com sua ternura e toque que me agrada a alma e coração.

Nessa imensidão de pessoas, que são escolhidas como objetos, me alterno num mundo paralelo onde eu possa te reviver em minha mente. O detalhe da sua boca, seu cabelo cheiroso e sua pele macia e perfumada. 

A cada esquina vejo uma imagem sua, mas quando me viro para ter certeza, são só pessoas passando na rua com seus celulares e olhares desatentos. Será que é loucura te ver como se eu fosse o único que observa a vida sem você? 

Passe por aqui, e te guiarei no caminho mais detalhado, sem hesitação, sem joguinhos de sedução e sem nenhuma mentira. Há tanta coisa a ser escrita, que prefiro que a gente não leia nossa história, mas viva como principais personagens. Por isso, me traga mais inspiração para juntos terminarmos nossa história.

Aquilo se diluía num único espremer. Não sei expressar ao certo como aquilo saía de sua cabeça. Parecia cinza e tinha algumas cores. Como o vermelho, vindo de um buraco profundo. Naquela parte era o que mais espremia, mas parecia não se espalhar e se dividir. Desperdício, talvez por existir o vento e dissolver até juntar ao nada, como a gravidade do espaço num momento certo, quando surge uma bola de energia e espalha como a aurora boreal.

Tinha muitas pedras que me machucaram quando eu estava perto. Talvez a tenha machucado também, por dentro. Não pude evitar, não poderia sair dali quando estava ao meu alcance. Não ousaria, me alimentava dessa energia que me fazia enxergar a vida mais clara e melhor. Dias e noites. Ela parecia mobilizada em pequenos fragmentos que flutuava em sua volta. Queria rouba-los para devolve-los de alguma forma para dentro de seu corpo para vê-la bem. O vazio tornava a aumentar.

Como estou pálida! Disse ao sair direto para o banheiro. Querida, não vá se atrasar, hoje temos uma programação especial, beijos e te amo. Ouviu-o saindo pela porta. Enxugou o rosto e escovou os dentes como de costume.

As tarefas, feitas todos os dias a cansava, não era mais aquela jovem de antes, disposta e cheia de energia. Era bonita, adorável e causava muitos efeitos nos homens, principalmente no Daniel, seu antigo namorado.


01h00
Não jantei, e sinto um buraco no meu estomago. Parece que não como há dias por falta de vontade. Sai da cama. A casa estava toda escura, nada de anormal. Peguei o meu celular para ver as horas. Me levantei e tive uma ânsia, me sentindo mal fui até o banheiro para por pra fora o que não me pertencia. Olhei no espelho, minha expressão de enjoo não era nem a metade do que tinha dentro de mim.
Tive uma súbita vontade de sair dessas quatro paredes, fumar um cigarro lá fora, tragar e esfumaçar tudo para dentro de mim, como uma cegueira temporária que talvez me fizesse um alívio. 
Se eu apagasse todas as luzes dos cômodos da casa que eu tinha passado, o escuro ficaria vermelho, algum feixe de luz ficaria escuro, e eu ficaria transparente de dor.
Meu coração começou a acelerar. Como um disco velho, a repetição de lembranças dele tinha um tom repetitivo que não parava. Mal sabe ele que me fere todos os dias nos olhos e no pulso. Como se me matasse a cada dia ao extrair o vermelho que substitui minha escuridão. 
Acordei como que se eu tivesse tido um coma. Percebi o meu redor e me deparei de novo com as horas.



Imagem: johnny_automatic


Os carros passavam com os faróis acessos,  via-os com os lábios ressecados e pele queimada pelo sol. Olhou sua boneca junto ao seu corpo e a abraçou num gesto de maior carinho. Você me ama? Olhou-a fixamente e depois a carregou segurando-a com cuidado ao caminhar sem poder acordá-la, foram num lugar mais claro.

Ninguém foi bondoso naquela noite, os homens são maus, preferiam vê-la parada com fome e frio naquela beira de estrada sem ter pra onde ir. Por que ninguém não oferece uma carona? Quero muito ir embora daqui.


Giovani assim que chegou à sua mesa descarregou de seus ombros a mochila pesada que precisava carregar todos os dias. Olhou para os dois lados, tinham as mesmas pessoas passando por ele que diziam olá com um sorriso igual a do Coringa. Por que eu estou tão sério? Foi tomar um café, o dia parecia mais chuvoso. Um homem que conhecia só de longe comentou com ele sobre isso ao vê-lo ver o céu pela janela, parecia querer puxar papo. Porém logo saiu de perto, entediado como cara de poucos amigos.
Quando te vi fechar os olhos, não apenas o vi. Senti a sua leveza como uma onda calma vindo do mar com tempestade. Foi uma visão linda e sem medo do que eu mais enxergava em você, uma essência necessária que eu não conseguia suprir. Pois quando você dormia, minha alma se enchia de sonhos criados, ainda mais pelo silêncio que não estava ensurdecedor.

Concentrei-me sem dificuldade no sentimento que era ver você dormindo. Eu não poderia machuca-lo, e, foi exatamente o que não pude fazer. Mas nós soubemos que você tinha um mapa com outro caminho. Seria óbvio demais dizer que nós dois não iríamos nos machucar.

Vi você aquele dia, em pequenas partes da sala, o lugar que você lia os jornais e ouvia suas músicas loucas. Estava presente em lembranças como se fossem cenas de um filme velho. Apesar de sempre te chamar de meu, continuo com o que você pôde me devolver. Não pude entrar nesse mar turbulento, não havia barco ou qualquer outro meio. Não de novo, me aventurar, sem saber onde pisar.

De repente despertei, foi mais um sonho desviado. Esta noite, me concentro novamente nos sonhos que saem dentro de mim que nenhum dia pude realmente acreditar sem pôr uma razão. Pois não há, sentimentos são realmente inexplicáveis.



A violência e o vandalismo na capital de São Paulo relatado nos jornais nos últimos dias me intrigaram. Foi claro que a mídia julgou no começo todos os manifestantes como baderneiros.

Entretanto, como dito anteriormente pela grande maioria, será que os que estavam lá são só jovens que desrespeitam a lei e atrasam seu caminho? A resposta como sempre é olhar novamente, é pensar em por que tantos manifestantes que estavam lá exercendo seu direito acabaram violentados, não estavam lá para destruir patrimônios, públicos, do comercio privado etc.

A maioria não eram vândalos, eram cidadãos conscientes, que não trabalham ou estudam de cabeça baixa sem olharem o que está acontecendo em sua volta. São dignos para fazerem o protesto dentro da lei e conseguirem com a força que eles possuem o direito de refutar a qualidade do serviço das empresas de transporte e o valor cobrado.

Nenhuma violência abusiva contra qualquer cidadão que não fez nada contra algum policial é justa. Vândalos, oportunistas, opositores da lei devem ser punidos.

Minha indignação do acontecimento com os cidadãos não envolvidos, repórteres e manifestantes é imensa. Vídeos na internet que mostram o abuso de alguns policiais servem como provas, e será que serão identificados e penalizados?

Pois bem, a passagem de ônibus que foi aumentada mais do que necessário nos últimos anos mostra como as empresas de ônibus abusam do valor em longo prazo. Não se fala em apenas vinte centavos a mais na passagem. Fala-se do outro lado que é o da população que usa todos os dias ônibus muitas vezes cheios e com péssimas condições. Também se fala de democracia e direitos, não podemos ser totalmente livres, porém mais conscientes e inquietos com as atitudes do governo, que muitas não beneficia o povo.

Ontem à noite com Vanessa e Beto foi memorável. Roberta nunca tinha se divertido tanto desde que sua mãe morreu. Pegou o celular e escreveu uma mensagem de texto dizendo: “E aí? Ontem foi demais. Encontrem-me no Open Bar às 23h, ok? Se não puderem me avisem. Beijos”. Assim que enviou para os dois, foi tirar mais um cochilo. Eram nove horas da manhã quando adormeceu na cama outra vez.


Acordou mais tarde com uma dor de cabeça. Seus olhos estavam sensíveis à luz que atravessava da janela. Tinha sonhado com o Beto. Não foi como daqueles sonhos que se volta ao passado numa única noite. Numa mistura de cenário, mesmo que ele não estava, sentia sua presença, e era diferente. Como se ele estivesse o tempo todo consigo. Na memória, bem escondido. Não era difícil de imaginar do porque que tudo isso aconteceu. Justo porque ele está mais perto.


Roberta foi para o bar. Os dois estavam esperando-a. Vanessa, sentada na frente de Beto. Os dois estavam no canto da mesa, perto da janela. Ao lado dele tinha um rapaz, que parecia ter a mesma idade dele. Um amigo novo talvez? Nunca tinha ouvido falar, presumia que Vanessa também não saberia dizer quem era ele.


Sentou-se, cumprimentou todos com um gesto de saudação e disse um “oi” e um “Prazer em conhecê-lo. Sou Roberta, você é...?”. Antes de ele falar, Beto a interrompeu:


— Trouxe um amigo, Roberta. Vocês não sabem, pois sempre tive receio de que vocês responderiam de forma negativa. Naquela noite foi muito bom revê-las, e quando soube que vocês não eram machistas, preconceituosas como várias pessoas que encontrei na minha vida, quero dizer a vocês: Este é Claudio, meu namorado.


Ele não teve medo de dizer. Roberta estava chocada, isso explicava a aliança no dedo dele, o jeito como agiu, sem tentar nada com as duas na noite passada. Se o paquerasse, ia ficar frustrada, não seria um paquera difícil de conseguir, mas talvez impossível?


Tinha reparado Beto não tinha um jeito que todos pudessem desconfiar. Sentou-se perto de Claudio e sussurrou:


— Você é muito bonito. Pode falar vocês dois estão brincando que eu sei.


Desaproximou-se do ouvido dele e o beijou no rosto. Quando olhou em volta, Beto estava com uma expressão estranha, e Vanessa fazia um sinal frenético, tentando dizer para ela sair de lá.


Beto saiu da mesa de raiva sem dizer nada. Roberta saiu de a mesa para-lo e reverter à situação. Era uma vergonha que até o garçom sentiu, seu rosto estava vermelho, marcado pela expressão do constrangimento. O farol estava aberto, e passando dele, Beto, com seu carro a mil por hora.


RETORNO


Roberta voltou, onde estava Vanessa e Claudio. Sentia-se constrangida e arrependida por aquela situação.


— Bem… Eu não sabia que ele reagiria daquele jeito, me desculpem, vou embora. – saiu as pressas do lugar.


Passado algumas semanas, Renata foi viajar para o interior para por de qualquer jeito sua lógica em ordem. A cidade era no litoral, tinha praias, calor e água de coco.


Foi ao encontro do mar e sentou-se na areia, com a bagagem e cansaço nos olhos, parou para sentir o vento e o barulho das ondas. Num momento, ela se lembrou da esperança que teve de Beto, queria que ele sentisse ciúme dela naquele dia. Muitas coisas que tinha saído sua realidade não apenas a levava a refletir no que tinha acontecido, mas no que sentia. Foi um apego sem desculpa, um teste inútil e imaturo.


Viu o céu estrelado e as ondas cada vez mais silenciosas e menores. Se ele a visse, pediria para ele remover a maquiagem borrada de seu rosto escorrida pelas lágrimas.


Num momento quando percebeu uns grãos de areia na sua mão se assustou. Ao virar para o lado viu Beto sentado ao seu lado. Os dois se entreolharam e sorriram juntos. Ela continuou por um tempo a olhar o mar, parecia calma e ao mesmo tempo perdida. Ele pegou a mão dela e a levou para seu peito direito, fazendo a olhar novamente em seus olhos. O quão rápido estava o coração dele que batia, e foi então que ele a abraçou e sussurrou em seu ouvido: “Te ver longe de mim só me fez me esquecer o quanto gosto de ti, não sei o que realmente aconteceu, mas hoje, não te deixo sozinha”.

A partir daquela hora quando entrei naquele trem, um aviso de “mantenha-se seguro, em breve estaremos partindo” me alertou onde eu realmente estava: em um trem velho, antigo. Daqueles de filmes românticos que participam de cenas de despedidas de casais que se encontram anos depois.

Passei pelo corredor de janelas enferrujadas afim de tentar me acomodar. Mais pessoas iam chegando a cada minuto. Por um breve momento achei que teria pegado o trem errado. De um destino sem fim e sem meia volta. Todo aquele esforço de pensar em como poderia voltar e encontrar a saída daquele lugar poderia ser em vão, e assim fui indo, empurrada sem poder voltar por onde eu vinha.

Acabei por encontrar um cabine vazia e aparentemente muito melhor do que as outras. Pensei em como estava com sorte. De lá, consegui enxergar a paisagem sem ver alguma ferrugem exposta. Me deitei ali mesmo, absorvida da mudança da paisagem a cada segundo a mais de velocidade que o trem alcançava.

Numa hora, já a noite, o frio predominava e me obrigava a me encolher sem ter por onde me aquecer. Nessa viagem, nunca soube quando acabou e o que foi ,mas confesso parece que nunca acabou, pois ainda nem sei minha estação final.

Marcados pelo amor, carinho, atitudes boas e sentimentos bons, nosso eu vai sendo construído com a pessoa que queremos ser ao lado de quem estamos.

Estive tão perto do fascínio como se o amor fosse apenas uma ilusão. Mas o que é realmente o amor? Não deve ser um padrão. Simplesmente esse sentimento não tem características, atitudes corretas e até mesmo uma lei de como amar e a quem amar. Não é desprezível, vergonhoso, horrível e anormal. Não deve ser jogado debaixo do tapete se a verdadeira sujeira está por todo o canto.

O amor assinado é um passo que “todos” fazem quando amam. O protesto feito neste domingo – 13 de janeiro - com mais de trezentas mil pessoas nas ruas de Paris contra o projeto do casamento gay me fez perceber que ainda existe uma influencia muito grande da igreja contra os casais do mesmo sexo.

Casamento de diferente sexo ou não, para quem ama, não liga pra doutrinas que diz o que é certo ou errado, penso eu. Quem é o ser que proíbe o amor se manifestar?

Indiferentemente do país ou continente, se houver estado e democracia, o governo não deverá agir através da religião. Tem que ter uma postura que seja melhor para todos, e não para uma determinada doutrina ou crença religiosa.

Não se trata de apenas um lado da moeda. Houve também manifestações contra a opinião do papa que não gostou da postura do governo. Assim como as manifestações feministas, afrodescendente por direitos, o protesto a favor do casamento gay não é uma exceção. Entretanto, essa não é uma questão de como que um país tal deve agir. A questão é como as pessoas ainda agem sobre isso. Essa tal de resistência ao indiferente que não faz parte de seu mundo, a qual que inibe o respeito sobre outrem. Porém, digo, ninguém tem que aceitar, mas respeitar as diferenças.

Afinal, o amor quando se crê não muda de pessoa pra pessoa. Contra tantas coisas ruins opostas à isso, o que muda mesmo é o meio em que ele está, que dependendo, se torna um esquecimento temporário.





Numa típica manhã de um novo ciclo, acordei com os gritos de um vizinho da casa da frente. Meu bom humor pós-apocalipse fracassado de repente se esgotou. Abri a janela e flagrei uma típica cena de novela misturado com reality show. As pessoas que passavam pela casa não paravam de olhar e perceber os dois brigando. As pessoas se tornaram tão fiéis que cochichavam entre si palavras maliciosas e intrometidas. Como se sentissem no direito de ser uma plateia de um romance em crise.

Pensei comigo mesma: não irei prestar atenção, não é da minha conta. Mas isso se tornou inevitável. Havia muito barulho que hesitavam meus pensamentos.

Logo, isso teve um fim até a decorrência da tarde, quando todos comentavam de uma nova briga que acontecia num programa de reality show que passava na TV.

E lá estava eu, olhando por atrás de minha própria fechadura. Ao ouvi-los brigando, um espelho se concretizava em absolutamente nada na minha relação com ele. Justamente por não ter visto que ao meu redor os nossos corações apáticos que absorviam todo o ar e se fazia impossível revigorar-se.

Inquietamente transtornada, tive o cheiro da lembrança, afim de me espiar por dentro e perceber o verdadeiro episódio que se passava comigo e entre nós dois.


Depois de jantar com Vanessa, Rebeca não hesitou em perguntar sobre a sua vida e trabalho. Ficaram conversando horas até chegar o momento de partirem para o encontro. Rebeca estava na cozinha quando ouviu a companhia tocar. Quase ao mesmo tempo, Vanessa perguntou: 

— Tá esperando alguém? 

— Não... Quem será que é? 

Meio sem jeito, foi até a porta intrigada. 

— Beto? 

— Oi... Bem achei melhor vir aqui, dar uma passadinha antes de irmos. Gostou da surpresa? 

Mas como todo mundo de repente sabe o endereço da casa das pessoas? Rebeca estava surpresa e ao mesmo tempo incomodada, será que é a única do bairro que ainda não se mudou para outra casa? Todos um dia tiveram que morar em outros lugares por causa de novo empregos, independência, etc. Mas Roberta preferiu ficar em seu velho bairro assim mesmo. Vivia com a mãe e era filha única. Depois que ela morreu de câncer no pulmão, preferiu não vender a casa, pois era algo de felizes memórias.

Olhou para o Beto, com os olhos cheios de emoção e o abraçou: 

— Que saudade que eu estava de você, quanto tempo! 

Sua felicidade era de se ver de longe. Tanto que o chamou para se sentar na sala com Vanessa que parecia estar surpresa e receptiva de ter tido mais um encontro com ele. Colocaram o papo em dia como nunca tinham feito antes. Se esqueceram do encontro, beberam e riram de velhas histórias. 

O penteado de Beto, seu estilo moderno e diferente com seu humor e charme eram irresistíveis. Estava mudado, não apenas pela sua aparência. Reparou uma aliança em seu dedo. Talvez comprometido? Ele estava mais que um homem sério e responsável ao seu olhar, estava mesmo é atraente.


Estava nublado e fresco. Ventos que passavam pela rua atingiam a poeira e levava as folhas caídas na calçada para longe. Roberta esperava o ônibus para voltar pra casa. Não queria se atrasar hoje, ia se encontrar com amigos de infância à noite. Pessoas iam e desciam do ponto durante sua espera. Pensou como estaria Beto e mordeu os lábios com uma certa ansiedade. Seu cabelo estava todo bagunçado por causa do vento, sentou-se no banco ao lado de um homem velho.

Ao chegar na rua de sua casa ao descer do ônibus viu uma mulher loira de cabelos lisos conversando com algum vizinho que já vira na rua algumas vezes. Parecia estar pedindo algum tipo de informação. Foi descendo e ouviu alguém:

— Oi! Ei amiga aqui! - gritou a mulher.

— Oi querida!- disse ao reconhecer Vanessa. - Tudo bem? Desculpe, eu ia te mandar meu endereço por e-mail, mas... poxa são tantas coisas, acabei me esquecendo. Mas que bom você por aqui.
— Estou ótima Rê! Consegui seu endereço com o Beto. Lembra-se dele? Aquele que usava óculos enormes. Meu Deus, se você visse ele.. Tá muito lindo, mudou tanto!

— Ah sim! Como eu iria esquecer? - disse sorrindo. - Lembro-me dele quando a gente ia no sebo trocar livros e ele sempre nos mostrava gibis engraçados.- disse rindo ainda mais. Ele sempre a fazia sorrir.

Percebeu que estava diferente logo mudou de assunto para não transparecer:

— Venha em casa, estou chegando agora do meu curso de inglês, se você quiser comer alguma coisa...

— Não, agora não, me desculpe, só vim aqui mesmo para matar a saudade. Estou na cidade a trabalho. Tenho viajado bastante.

— Ah, isso seria uma pena. Por que não fica ate amanha? Vai ter um reencontro dos formandos do ensino médio. Todo mundo vai estar lá.

— Eu soube, eu não ia, já que e só uma noite, parece divertido... então vamos - disse abrindo um sorriso de felicidade.

Não demoraria muito, logo todos estariam reunidos novamente.



Acordou de um jeito que parecia que estava com o dobro de seu peso. Sua cabeça parecia mais pesada. Estava frio em seu quarto, sentiu uma necessidade de calor que não viria de um simples cobertor. Era ela que estava faltando ao seu lado num dia frio de domingo. Seu cheiro, seu sorriso mais sincero, seu cabelo e sua voz doce e suave em seu ouvido. Em dia como esse, que a saudade batia-lhe a porta, a procurava em todas as pessoas e lugares.

Já eram oito e meia, ao lado do relógio havia um bombom. Lembrou-se de sua infância. Era a época mais feliz de sua vida. Não tinha medo de ser feliz. Seu mundo era outro. Dragões, castelos, monstros, heróis e brincadeiras divertidas. Comer doces era o que mais lhe fazia feliz. Pegava dois bombons do pote em cima da mesa que sua mãe deixava e guardava na sua lancheira até a hora de chegar à escola. Quando a via sempre lhe entregava um. Quando não tinha dois para partilhar, entregava o seu pra ela. Era o momento que mais gostava de ter. Foi pra sala e sentou-se no sofá e sozinho começou a chorar.
Fiquei frente a frente com a temida prova do ENEM que nunca tinha conhecido. Confesso que cheguei ao primeiro dia confiante. Não quis me preocupar com o peso que a prova ao fazê-la. Pois sei da sua importância, e não queria me desesperar e perder a concentração. 

Ao contrário do que eu esperava de mim desde o começo do ano, não me concentrei todos os dias em ter pelo menos uma hora reservada para estudar. Alguns dias até que eu fazia simulado, revezava algumas equações de química, física e outras. Estudava nas aulas de português, biologia, e acreditava que não teria muita dificuldade. 

A prova, ao ser indiferente não faria de minhas súplicas um milagre para resolver as questões de matemática. Como cada um naquela sala, estive exausta e cansada ao passar das horas. Relataria aqui um estado de sobrevivência daqueles filmes que todo mundo sabe o quão é difícil uma pessoa sobreviver sozinha se não estiver preparada. Mas, esse não foi o caso. Seria um exagero, porque qualquer um teria condições de ir pro um lugar bem melhor se fosse sonhar em cima da folha de questões, ou apenas sair depois de duas horas. 

Depois do segundo dia de prova, nunca foi tão bom ver à tarde quase virando noite. Depois e horas numa sala em um fim de semana inteiro me senti mais disposta em aproveitar o fim tarde para fazer nada. 

Sempre tem aquelas notícias no jornal de pessoas que perderam ou teve algum caso inusitado na prova do ENEM: Um a estudante que teve seu filho num banheiro antes da prova; uma pessoa desatenta que se esqueceu de preencher o cartão de resposta; alguém vestido de Mário, etc. 

Em todas as alternativas, percebo que vão sempre te levar a um lugar, não importa qual seja se importa ou não, de qualquer jeito.